O sistema financeiro brasileiro tem ganhado destaque global devido ao seu crescimento, sofisticação e aos desafios que emergem em cenários de volatilidade e inovação tecnológica. Para garantir solidez, transparência e proteção ao investidor, é essencial entender o papel de cada órgão regulador e as transformações previstas para os próximos anos.
Visão Geral do Sistema Financeiro Nacional
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é sustentado por três pilares centrais: o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Cada um desempenha funções complementares, visando o equilíbrio entre estabilidade sistêmica e proteção ao mercado de capitais.
O CMN estabelece as diretrizes macroeconômicas e de políticas monetárias. Já o BCB é responsável pela regulação prudencial das instituições, zelando pela saúde financeira de bancos e seguradoras. A CVM, por sua vez, foca na regulação de conduta e governança, prevenindo fraudes e assegurando a integridade do mercado de capitais.
Além desses, entidades como ANBIMA e B3 apoiam padrões voluntários de governança e promovem iniciativas operacionais no ambiente de bolsa. Essa rede complexa busca sinergia para evitar sobreposições e lacunas regulatórias.
Modelo Regulatório Atual e Debate sobre Twin Peaks
O Brasil adota hoje um modelo setorial, no qual cada regulador cuida de um segmento específico. Diferente do modelo Twin Peaks, que separa supervisão prudencial da fiscal de conduta, nosso formato atual mantém órgãos especializados, mas com necessidade crescente de coordenação.
Em 2026, o debate ganhou força com a proposta do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de transferir a fiscalização de fundos de investimento da CVM para o BCB, motivado por episódios de fraude no Banco Master e na Reag Investimentos. Em resposta, a CVM divulgou, em 29 de janeiro de 2026, um estudo conduzido pela Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA), liderada por Bruno Luna.
O relatório identificou 16 desafios para implementação Twin Peaks no Brasil, ressaltando a importância de autonomia e recursos adequados, além de amplo debate com o mercado e a sociedade.
- Aprimorar autonomia operacional e recursos dos reguladores
- Definir líder da regulação macroprudencial
- Considerar peculiaridades do SFN brasileiro
- Promover debate com experiência internacional
- Reforçar papéis do BC e da CVM, com melhor coordenação
Para ilustrar os objetivos centrais desse estudo, apresenta-se a seguir uma tabela resumida:
Principais Demandas Regulatórias para 2026
O ano de 2025 marcou avanços em transparência, governança e proteção ao investidor, e o calendário de 2026 traz novas metas para fortalecer ainda mais o mercado. Reguladores como CMN, BCB, CVM, ANBIMA e B3 concentram esforços em áreas estratégicas:
- Transparência e reporte padronizado de fundos e produtos estruturados
- Prevenção à lavagem de dinheiro com novas tecnologias
- Fortalecimento de mecanismos anti-fraude no Pix
- Reforço da governança em concessões, PPPs e reestruturações judiciais
- Regulação de stablecoins e crédito privado alinhada a padrões internacionais
Esses tópicos exigem modernização de normas, integração de sistemas de dados e cooperação estreita entre autoridades, garantindo resiliência frente a riscos sistêmicos e avanços tecnológicos.
Impacto de Eventos Recentes e Projeções Econômicas
O rebuliço em torno das fraudes no Banco Master reacendeu discussões sobre a eficácia de fiscalização. Ao mesmo tempo, o Ibovespa alcançou novos recordes no início de 2026, demonstrando força do mercado, mesmo sob intenso escrutínio.
O Boletim Focus projeta IPCA em torno de 4,0%, Selic em 12,25% e PIB na casa de 1,8% para 2026. Paralelamente, o mercado de debêntures incentivadas bateu recorde de emissões em 2025, reforçando o papel do crédito privado como alavanca de crescimento.
Contexto Internacional e Lições Globais
Países como Austrália, Reino Unido e África do Sul adotaram o modelo Twin Peaks com sucesso, mas sempre após amplos debates e adaptações locais. O Brasil observa essas experiências para evitar importações de soluções sem ajuste à realidade nacional.
- Austrália: separação clara entre prudencial e conduta
- Reino Unido: ênfase em proteção ao consumidor
- África do Sul: foco em prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro
O FSB (Financial Stability Board) e o G20 incluem na agenda 2026 temas como stablecoins, responsabilidade regulatória e transparência de interconexões financeiras, servindo de guia para as iniciativas brasileiras.
Desafios e Perspectivas Futuras
O principal desafio continua sendo equilibrar inovação e segurança regulatória. Enquanto fintechs e novas tecnologias demandam regras dinâmicas, a proteção de investidores e a prevenção de crises financeiras requerem normas robustas e claras.
Além disso, cresce a necessidade de aprimorar a autonomia e os recursos humanos e tecnológicos dos órgãos reguladores. Apenas com equipes especializadas e independentes será possível monitorar fraudadores sofisticados e responder com agilidade a choques de mercado.
Por fim, o paradoxo de 2026 é buscar maior abertura e inovação em meio a um ambiente de maior escrutínio. Reguladores, instituições financeiras e a sociedade civil devem trabalhar de forma colaborativa, garantindo que o Brasil mantenha sua trajetória de crescimento e estabilidade, sem deixar de lado a transparência e a confiança dos investidores.
O futuro do mercado financeiro brasileiro depende da capacidade de aprendizado, adaptação e cooperação de todos os atores. A jornada rumo a um modelo regulatório mais eficiente será repleta de desafios, mas também de oportunidades para consolidar um dos mercados mais promissores do mundo.
Referências
- https://www.broadcast.com.br/ultimas-noticias/estudo-da-cvm-aponta-desafios-a-implementacao-de-modelo-de-regulacao-twin-peaks-no-brasil/
- https://smartbrain.com.br/demandas-regulatorias-para-2026/
- https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/noticias/2026/area-tecnica-da-cvm-publica-estudo-exploratorio-sobre-twin-peaks-e-desafios-para-a-implementacao-no-brasil
- https://blog.cbrdoc.com.br/ativos-financeiros-em-maximas-durante-2026/
- https://veja.abril.com.br/coluna/neuza-sanches/bc-x-cvm-mercado-retoma-debate-sobre-fim-do-regulador-de-capitais/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/orgao-de-controle-financeiro-do-g20-apoia-modernizacao-de-regulamentacoes/
- https://fasadv.com.br/pt/bra/publication/mercado-financeiro-principais-noticias-de-29-12-2025-a-02-01-2026
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20987/noticia
- https://www.matera.com/br/tendencias-mercado-financeiro-2026/
- https://www.ey.com/pt_br/insights/financial-services/four-regulatory-shifts-financial-firms-must-watch-in-2026
- https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/regulacao
- https://www.maps.com.br/blog/mercado-financeiro-em-2026-transformacao-tecnologica-evolucao-regulatoria-e-a-nova-era-do-risco-de-mercado/
- https://br.tradingview.com/news/cointelegraph:2a40a506fbc81:0/
- https://ciandt.com/br/pt-br/article/o-sistema-financeiro-rumo-2026-o-que-muda-quando-infraestrutura-dados-e-sociedade-convergem
- https://capitalaberto.com.br/regulamentacao/cvm-realiza-estudo-sobre-twin-peaks-e-elenca-desafios-para-implementacao-no-brasil/







