O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é uma das bases do mercado de renda fixa no Brasil. Entender sua dinâmica é fundamental para investidores e profissionais financeiros.
Definição e Conceito Fundamental
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), também chamado de DI-OVER, não é um ativo negociável, mas sim a taxa referencial do sistema financeiro brasileiro. Ele reflete o custo do dinheiro em operações de curtíssimo prazo entre instituições.
Criado em 1980, o CDI surgiu para aumentar a liquidez bancária. Diariamente, bancos com caixa excedente emprestam recursos aos que estão deficitários, gerando a taxa que conhecemos como CDI.
Como o CDI Funciona na Prática
O Banco Central exige que as instituições encerrem o dia com saldo positivo. Para isso, realizam empréstimos de um dia entre si. O juro acordado nessas operações dá origem à taxa DI, que, por sua vez, serve de referência para diversos produtos de renda fixa, especialmente o CDB.
Essas operações de um dia são essenciais para equilibrar os caixas bancários e manter a estabilidade do sistema financeiro.
Metodologia de Cálculo
Desde 2018, o cálculo do CDI observa condições mínimas para assegurar confiabilidade. Se algum critério não for atendido, mantém-se a taxa divulgada no dia anterior.
- Operações interbancárias ≥ 100 por dia
- Volume total elegível ≥ R$ 30 bilhões
Com base nessas operações, faz-se uma média ponderada que gerará a taxa CDI do dia seguinte, refletindo o custo médio do dinheiro emprestado.
Relação com a Taxa Selic
Embora distintas, as taxas CDI e Selic caminham em sintonia. A Selic é definida pelo COPOM como meta de política monetária, enquanto o CDI resulta de operações de mercado.
Em geral, o CDI acompanha de perto a Selic, servindo como benchmark para investimentos de renda fixa.
CDI como Referência de Rentabilidade
A taxa CDI é considerada o mínimo esperado em aplicações conservadoras. Quase todos os produtos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs, usam percentuais do CDI para definir seu rendimento.
Por isso, ele se consolida como a referência de rentabilidade das aplicações de renda fixa e um indicador chave para investidores institucionais e pessoas físicas.
Dados de Rendimento Histórico
Confira a evolução anual do CDI nos últimos cinco anos. Ele revela movimentos importantes da economia e das políticas de juros nacionais.
Atualmente, o CDI está em torno de 14,32% ao ano, com acumulado de 1,11% em 2026 até o momento.
Desempenho Comparativo
Ao comparar o CDI com outros índices de mercado, percebemos sua consistência ao longo de diferentes janelas de tempo.
- Período de 10 anos (2013–2022): CDI rendeu 131,1% versus Ibovespa 80,0%
- IDIV: 101,2%; IFIX
Ampliando para 12 anos (2011–2022), índices como IFIX (186,7%) e IDIV (179,5%) ficam levemente à frente do CDI (178,6%), enquanto Ibovespa e SMLL apresentam desempenhos inferiores.
- IFIX: 186,7%; CDI
- IBOV: 58,3%; SMLL
Desempenho de Ações Individuais vs. CDI
Das 51 ações do Ibovespa em 2013, apenas 23 superaram o retorno do CDI em dez anos, considerando dividendos e eventos corporativos.
Os maiores ganhos ficaram com Eletrobras ELE3 (790,6%) e ELET6 (658,1%), enquanto empresas como B3SA3, VALE3 e GGBR4 bateram o CDI em 70% dos anos analisados.
Setores de Energia Elétrica e Intermediários Financeiros tendem a oferecer ações mais resilientes contra a referência fixa do CDI.
Impacto nos Investimentos e Instrumentos Financeiros
O CDI influencia diretamente a rentabilidade de produtos de renda fixa, especialmente os CDBs. Esses títulos contam com garantia do Fundo Garantidor de Crédito até R$ 250 mil por CPF.
Os rendimentos são tributados pela tabela regressiva do Imposto de Renda, variando de 22,5% a 15% conforme o prazo de aplicação.
Investidores devem considerar o CDI ao comparar oportunidades entre renda fixa e variável, equilibrando risco e retorno de forma estratégica.
Conclusão
Desvendar o CDI é compreender o pulso financeiro do Brasil. Como taxa referencial essencial para a liquidez bancária e benchmark de investimentos, ele orienta decisões e molda carteiras de renda fixa.
Dominar seus fundamentos, metodologia e histórico de desempenho é o caminho para alocação eficiente de recursos e maior segurança frente às oscilações do mercado.
Referências
- https://www.infomoney.com.br/guias/cdi/
- https://insight.economatica.com/quem-bateu-o-cdi-ultimos-10-anos/
- https://blog.itau.com.br/artigos/renda-fixa
- https://brasilindicadores.com.br/cdi/
- https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/cdi/
- https://investidor10.com.br/indices/cdi/
- https://blog.brasilprev.com.br/cdi-o-que-e
- https://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-de-segmentos-e-setoriais/serie-historica-do-di.htm
- https://connection.avenue.us/educacional/renda-variavel-exterior/o-que-e-cdi/
- https://www.bcb.gov.br/htms/selic/selicdiarios.asp?frame=1
- https://www.santander.com.br/blog/cdb-ou-cdi
- https://maisretorno.com/indice/cdi
- https://www.youtube.com/watch?v=GUFiHP9_YjA
- https://blog.nubank.com.br/rendimento-do-cdi/
- https://borainvestir.b3.com.br/tipos-de-investimentos/taxa-do-cdi-o-que-e-como-impacta-seus-investimentos/







