Crédito Onde Menos Se Espera: Alternativas Inovadoras

Crédito Onde Menos Se Espera: Alternativas Inovadoras

No Brasil, 70 milhões de brasileiros estão excluídos do sistema financeiro formal, enfrentando juros abusivos praticados por credores informais e barreiras que impedem acesso a crédito. Essa realidade agrava desigualdades e cria um ciclo de endividamento para as famílias de menor renda.

O Desafio da Exclusão Financeira

A exclusão financeira em larga escala impacta diretamente o desenvolvimento econômico e social do país. Sem histórico de crédito formal ou garantias como imóveis, milhões não conseguem linhas de financiamento adequadas.

Como consequência, muitos recorrem a soluções informais com taxas elevadas, limites de crédito reduzidos e falta de transparência. Olhar para esses desafios é o primeiro passo para criar respostas inovadoras.

Fintech Jeitto como Solução Inclusiva

Fundada em 2014 por Fernando Silva, a Jeitto surgiu para atender exclusivamente as classes C e D, preteridas pelo sistema bancário tradicional. Sua proposta é simplificar o processo de empréstimo e pagamentos, usando tecnologia para derrubar barreiras.

Com um modelo orientado por inteligência artificial, a fintech analisa perfis de forma rápida e concede crédito mesmo para quem possui registro de restrição no CPF. Essa abordagem reduziu drasticamente a burocracia e o tempo de espera.

A plataforma Jeitto oferece uma variedade de serviços além de empréstimos:

  • Pagamento de boletos de diversos tipos
  • Recargas de celular pré-pago de forma imediata
  • Compras online parceladas sem cartão de crédito
  • Transferências bancárias sem necessidade de conta em banco tradicional

Em 2024, a empresa atingiu US$ 133 milhões em receitas, com projeção de US$ 172 milhões para 2025. A aquisição da Pilla e o lançamento do marketplace Shópi Jeitto reforçam o compromisso de democratizar o crédito na ponta.

Crédito Verde com Empreender Clima

Durante a COP 30, em Belém, foi lançada a plataforma Empreender Clima, resultado de parceria entre MEMP, OEI, Sebrae e BNDES. O objetivo central é incentivar micro e pequenos negócios a adotarem práticas sustentáveis.

Com taxas a partir de 4,4% ao ano mesmo com Selic alta, até 100% de financiamento e prazos de até 16 anos, a iniciativa oferece condições inéditas para projetos de baixo carbono.

Entre as principais funcionalidades:

  • Criação de perfil de negócio e análise automatizada
  • Cursos personalizados sobre empreendedorismo climático
  • Geração de pré-classificação gratuita para o Fundo Clima em menos de 10 minutos
  • Mapa do ecossistema verde e catálogo de instrumentos financeiros disponíveis

Setores estratégicos como energia limpa, agricultura sustentável e gestão de resíduos recebem atenção especial, garantindo suporte técnico e financiamento a longo prazo. Segundo Murcyo França, titular do MEMP, o pequeno empreendedor no centro da transição ecológica será protagonista na construção de um futuro sustentável.

Inovação em Telecomunicações e Funttel

O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funttel), em parceria com o BNDES, liberou US$ 32,7 milhões para o período 2025-2027 e aprovou adicional de US$ 280 milhões, totalizando recursos significativos para inovação no setor de telecomunicações.

Destinado a projetos de pesquisa, modernização de infraestrutura e expansão de serviços em áreas remotas, o crédito reembolsável cobre até 100% do valor do projeto e adiciona 30% para capital de giro. Com taxas vinculadas à TR, carência de 24 a 48 meses e prazos que podem chegar a 20 anos, a modalidade busca fortalecer a indústria nacional e ampliar o acesso digital.

Segundo Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações, essa iniciativa é estratégica para investimentos em inovação e para levar conectividade a comunidades ainda desassistidas.

Tendências e Outras Alternativas Emergentes

Além dessas três soluções, o cenário financeiro brasileiro apresenta outras tendências úteis para estimular o crédito e o investimento:

Essas iniciativas refletem a crescente busca por soluções financeiras mais flexíveis e tecnológicas, abrindo espaço para produtos personalizados e modelos de negócio inovadores.

Conclusão

O Brasil atravessa um momento decisivo em que a tecnologia e a união de esforços entre setor público e privado criam caminhos para incluir quem ficou à margem do sistema financeiro. Desde a agilidade trazida pela Fintech Jeitto até o crédito sustentável promovido pelo Empreender Clima e os projetos de Funttel, cada proposta aponta para um futuro em que o acesso ao crédito seja compreendido como um direito de todos.

Ao combinar inovação tecnológica e responsabilidade social, essas alternativas mostram que é possível enfrentar o desafio da exclusão financeira com ideias criativas e impacto real. O caminho está traçado e, agora, depende da adesão dos empreendedores e do apoio contínuo das instituições para transformar teoria em prática e alcançarmos, enfim, um sistema financeiro verdadeiramente inclusivo.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

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