Em um ambiente de investimentos em constante transformação, os Certificados de Recebíveis surgem como uma ferramenta estratégica para quem busca equilibrar risco e retorno. Criados pela MP 1103 de 2022 e emitidos por Companhias Securitizadoras de Crédito, esses títulos representam direitos creditórios securitizados que possibilitam acesso ao mercado de capitais de forma inovadora.
Ao explorar essa alternativa, investidores podem ampliar sua diversificação financeira e empresas obtêm fortalecer seu fluxo de caixa. A seguir, detalhamos a origem, funcionamento, vantagens e formas de aplicação desse produto.
Origem e Evolução Legal
Os Certificados de Recebíveis (CR) nasceram com o objetivo de dinamizar o financiamento de empresas, promovendo liquidez imediata a partir de recebíveis futuros. A Medida Provisória nº 1103 de 2022 regulamentou sua emissão exclusiva por veículos de securitização, garantindo respaldo jurídico e transparência.
Essa modalidade consolida-se como alternativa ao tradicional mercado de renda fixa, pois permite que companhias antecipem recursos vinculados a duplicatas, notas fiscais, vendas parceladas e transações de cartão de crédito. A estrutura fiduciária separa definitivamente os recebíveis do patrimônio da emissora, protegendo investidores contra eventuais falências.
Mecânica do Processo de Securitização
O caminho que vai dos créditos comerciais até o Certificado de Recebíveis envolve etapas bem definidas. Cada fase agrega valor e segurança, resultando em um título negociável no mercado.
- Antecipação de recebíveis: empresas transferem direitos creditórios a securitizadoras, que pagam à vista com desconto, melhorando o fluxo de caixa.
- Transformação em títulos: a securitizadora converte créditos (ex.
- Distribuição e distribuição de recursos: o capital captado retorna ao mercado para novas operações de crédito, sustentando o ciclo financeiro.
Nesse modelo, o investidor adquire o CR e passa a receber o principal acrescido de juros na data de vencimento, assumindo o papel de credor da securitizadora. O processo é auditado e regulado pela Comissão de Valores Mobiliários, assegurando maior robustez.
Benefícios para Empresas e Investidores
Esse instrumento oferece vantagens tangíveis tanto para a empresa emissora quanto para o aplicador, tornando-se cada vez mais atrativo em cenários de mercado voláteis.
- Para empresas: antecipação imediata de capital, redução de custos de financiamento e expansão do crediário.
- Para investidores: fluxo de pagamentos periódicos (mensais ou semestrais), transparência e retornos superiores à renda fixa tradicional.
- Diversificação: acesso a portfólios lastreados em cartões de crédito, duplicatas e vendas parceladas, diminuindo a concentração setorial.
Sem contar a segurança jurídica conferida pela regulamentação específica e pelo regime fiduciário, que protege o patrimônio do emissor contra passivos externos.
Comparação com Outros Ativos
Para contextualizar a atratividade dos Certificados de Recebíveis, apresentamos uma visão comparativa com outros instrumentos de mercado:
Como Investir em Certificados de Recebíveis
Investir em CR exige acesso às plataformas de negociação da bolsa de valores ou a intermediários especializados. Atualmente, diversas corretoras oferecem operações de renda fixa, incluindo esses títulos.
Os passos básicos envolvem aprovação de perfil de investidor, assinatura eletrônica de contrato de custódia e transferência de recursos. A partir daí, é possível acompanhar pagamentos e ratings de crédito por relatórios periódicos das securitizadoras.
Para quem busca maior comodidade, existem soluções de investimento automatizado que reúnem diferentes séries de CR em fundos, proporcionando gestão profissional diversificada sem a necessidade de seleção individual de títulos.
Casos Práticos e Exemplos Reais
Um exemplo emblemático é o Shield Bank, que estruturou operações de antecipação de vendas parceladas por meio de CR, mobilizando quatro camadas de garantia: recebilidade avalizada por bandeiras de cartão, capitalização mensal, funding bancário e veículo de securitização.
Nessa operação, uma empresa comercial podia antecipar R$1.000 em vendas parceladas, recebendo o valor à vista com desconto, enquanto investidores adquiriram títulos com rendimento atraente e mitigação de riscos por meio de garantias duplicadas.
Outro caso envolve o uso de CR imobiliários (CRI) para financiar construtoras em projetos de médio porte. Com recebíveis originados de vendas de imóveis na planta, os investidores obtêm retornos prefixados ou atrelados ao CDI, com o respaldo de isolação fiduciária.
Esses exemplos ilustram como os Certificados de Recebíveis podem ser aplicados em diferentes setores, promovendo acesso a recursos e distribuição de riscos de forma equilibrada, robustecendo tanto a oferta quanto a demanda no mercado de capitais.
Referências
- https://shieldbank.com.br/2024/10/21/o-que-e-um-certificado-de-recebiveis/
- https://www.painelfidc.com.br/glossario/certificado-recebiveis
- https://giro.tech/certificado-de-recebiveis/
- https://blog.hurst.capital/blog/certificado-de-recebiveis-o-que-sao-quais-as-vantagens-e-como-investir/
- https://mutualcapitalinvest.com/f/como-funcionam-os-certificados-de-receb%C3%ADveis-imobili%C3%A1rios
- https://investidor10.com.br/conteudo/cri-o-que-sao-e-como-funcionam/
- https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-fixa/certificados-de-recebiveis-imobiliarios.htm
- https://www.suno.com.br/guias/certificados-recebiveis-imobiliarios/
- https://www.santander.com.br/blog/o-que-e-cri
- https://www.youtube.com/watch?v=96LMgLnOEuw







